Em quem confiamos?

Rachel Botsman, nessa interessantíssima palestra TED fala sobre confiança. Ele aborda como a colaboração e a confiança, inseridas no contexto de tecnologias digitais, estão mudando a maneira como vivemos, trabalhamos e consumimos. Alguns exemplos são Airbnb, Tinder, Bla Bla Car, Uber, etc.

Sim, trata-se de outro approach, mas colaboração e confiança são as bases dos meios adequados de solução de controvérsias, tanto das práticas colaborativas como da mediação de conflitos. Se a tecnologia é capaz de criar novos mecanismos que nos permitem confiar uns nos outros (inclusive em desconhecidos), por que não apostar nos “novos” meios de resolução de disputas que também nos permitem confiar uns nos outros (conhecidos)?

Segundo Rachel “um voto de confiança acontece quando arriscamos fazer algo novo ou diferente da maneira como sempre fizemos”. É exatamente esse o nosso grande desafio. Ter o voto de confiança das pessoas envolvidas em conflitos para “fazer algo novo ou diferente”, ou seja, buscar soluções não (só) via ação judicial, mas também pelos meios adequados de resolução. Também confiar que esses meios de resolução que tem o diálogo como principal ferramenta, em muitos casos, são mais eficientes, pois as respostas/soluções são dadas pelos próprios envolvidos (com assessoria de advogados e psicólogos) e não por juizes que pouco conhecem as partes.

A palestrante também trata de uma crise de confiança nas instituições. Aqui podemos fazer um paralelo com a crise de confiança em relação ao poder judiciário que, por mais profissionais bem preparadas que tenha em seus quadros, tem deixado muito a desejar quanto ao tempo que leva para proferir decisões e, em alguns casos, à qualidade de tais decisões. Rachel trata de responsabilidade – como nos tornamos mais responsáveis de uma maneira não imaginada antes. Responsabilidade é um dos motes dos meios adequados de resolução de conflitos que nos colocam como protagonistas das decisões. Tanto na mediação quanto nas práticas colaborativas assumimos a responsabilidade pelo procedimento, por nossas condutas e decisões. Tudo isso de forma aberta, dialogada e com boa fé. Quando Rachel afirma que não deixaremos de precisar de hotéis, apesar do Airbnb, digo o mesmo quanto ao Judiciário. Para alguns casos e em algumas circunstâncias a resposta precisa ser dada via ação judicial.

Assim, a denominada “nova era da confiança” vai muito além dos aplicativos de transporte ou hospedagem. Trata-se de um novo tempo em que as pessoas confiam em novas e melhores opções. Também há uma revolução nos meios de resolução de disputas. Até poucos anos o único caminho era entrar com ação judicial. Hoje temos também a conciliação, a negociação assistida, as práticas colaborativas, a arbitragem e a mediação. E isso é só o começo.

Aproveitem a palestra e bom fim de semana !!

 

 

 

 

 

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