Tênis x Frescobol

Rubem AlvesRubem Alves, há anos, escreveu um texto intitulado “Tênis x Frescobol” em que compara o que denomina “dois tipos de casamento”. Um deles seria semelhante ao jogo de tênis e o outro ao frescobol.  A comparação brilhante do educador pode ser ser feita também entre os meios de soluções de conflitos. De um lado há os meios adversariais de solução de conflitos, como a ação judicial, e de outro os meios não adversariais como a mediação e as práticas colaborativas.

Segundo Rubem Alves “o tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro”. Esta dinâmica descrita é compatível à ação judicial, pois nesta prevalece o sistema “ganha-perde”. O papel do bom jogador é desempenhado pelo advogado que, muitas vezes, ataca o ponto fraco da outra parte para derrotá-la.

Por outro lado, “o frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre”. Esta descrição se amolda perfeitamente aos meios adequados de solução de conflitos, como a mediação e as práticas colaborativas. Nesses meios, assim como na ação judicial, há “dois jogadores”, mas busca-se uma solução para o conflito do tipo ganha-ganha. Para isso, o outro não é visto como adversário a ser derrotado, mas como alguém com interesses (comuns e/ou diferentes e/ou opostos) subjacentes ao conflito. A partir do diálogo facilitado pelo mediador ou pelos advogados colaborativos, busca-se soluções e respostas que atendam a todos da melhor maneira possível. Isto permite que as pessoas envolvidas mantenham os vínculos de respeito e afeto mesmo depois de passar pela situação conflituosa.

Como coloca muito bem o autor “as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar”. Com esse objetivo temos estudado e trabalhado incansavelmente. Para que todos possam conversar mais, ouvir o outro e resolver seus conflitos como quem joga frescobol.

Segue o link para leitura na íntegra do texto de Rubem Alves http://www.rubemalves.com.br/site/10mais_06.php

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