Como tudo começou – Terceira parte

Continuando a entrevista com Stuart Webb, nesse módulo ele nos conta um pouco mais da sua experiência com treinamentos de advogados e profissionais de outras áreas, sempre trazendo importantes lições sobre as práticas colaborativas.

Abaixo, a tradução para facilitar o entendimento. Aproveitem!

“Tem ocorrido uma mudança na Advocacia Colaborativa, no divórcio colaborativo e nas práticas colaborativas em geral.

No início, havia apenas advogados ao redor da mesa. Quando, mais cedo, mencionei a viagem que fiz à Santa Cruz, disse que troquei experiências sobre a Advocacia Colaborativa. E a ideia que surgia era a de que, por exemplo, em um divórcio colaborativo, estariam presentes não apenas advogados colaborativos, mas também “coach”, profissionais da área da saúde e financistas, além de especialistas em crianças.  Fiquei muito animado com essa ideia! Via que eles trabalhavam os casos de modo que os demais profissionais preparavam as partes para que, no momento certo,  os advogados interviessem. Como se eles conduzissem o caso e o advogado apenas finalizasse o procedimento. Hoje, muitos advogados se animam com essa ideia de trabalhar em equipe. E vão surgindonovas dinâmicas. Por exemplo, em alguns casos, há apenas um “coach” em vez de dois, e a função dele é praticamente liderar o procedimento, ajudando a mediar as conversas. Presenciei um caso semana passada em que o profissional da área financeira projetou gráficos e cálculos na lousa, e passou a buscar soluções em conjunto com as partes. Os advogados, nesse caso, não assumiram aquele papel principal de liderar as discussões: estavam ali apenas para dar suporte na área deles. E funcionou muito bem, os clientes ficaram muito satisfeitos com a dinâmica.

Como sabem, tenho participado de muitos treinamentos na área da Advocacia Colaborativa. E há uma mulher no Canadá que estudou a fundo essa prática por 3 anos, e uma das principais conclusões a que chegou foi a importância de se evitar a ortodoxia, por meio do qual estabelecemos uma única forma de praticar a advocacia colaborativa, o divórcio colaborativo, etc. Esqueça tudo isso! Há milhares de formas de fazer isso. Só existe uma regra: temos que fugir daquilo que não funciona. Entendido isso, há inúmeras formas criativas de ajudar as pessoas a passar por esse processo.

Devo acrescentar que falamos muito em divórcio colaborativo, mas as práticas colaborativas são aplicáveis a diversas áreas do Direito. Quando me perguntam como começar com as práticas colaborativas, o que digo é: não vá a outro lugar para ser treinado, caso contrário, você terá de atuar como um missionário quando voltar ao seu lugar, tendo que ensinar as pessoas como fazer. Encontre no seu próprio meio uma dúzia de pessoas, mais ou menos, que tenham interesse nessa forma de atuação, e chame um treinador para ir até vocês. Quase que invariavelmente, ao final desse treinamento, você terá a sua equipe praticamente formada e pronta para atuar. Como em um treinamento que dei a uma mesa de diretores, em que às duas horas da tarde eles já estavam discutindo o que cada um faria nessa prática, sem sequer terem terminado o curso. Disse para eles se acalmarem, que ainda precisavam terminar aquela preparação, mas isso é para ter uma ideia de como as coisas fluem.

É fácil visualizar a evolução das pessoas durante um treinamento. No início, surgem muitas perguntas do tipo: “e se?”. Quando chegamos na metade do dia, aproximadamente, vemos uma mudança nesse comportamento, o que reflete até mesmo na feição dos envolvidos. Como se, a medida em que passam a refletir a respeito daquilo, vão se tranquilizando.

Uma vez, um senhor mais novo que eu, em um treinamento do qual participei em NY, disse durante o intervalo: “sabe, isso é algo que consigo me imaginar fazendo… É diferente, mas conseguiria me adaptar tranquilamente”. É lógico que cada um tem sua forma de encarar as práticas colaborativas. Alguns simplesmente não aderem, e eu digo que eles devem continuar fazendo o que acharem melhor. A única coisa que acrescento é que, se passarem a não gostar mais dessa forma de trabalhar, existe outra.

A responsabilidade de tirar o máximo proveito das práticas é do advogado. Na advocacia colaborativa, o foco são os clientes. E eu ainda vejo muitos advogados, principalmente os mais jovens, que adotam essa postura de sempre buscar um resultado específico, atuando de forma incisiva para mostrar a sua capacidade ao cliente. Eu digo para que eles parem e prestem atenção também na intuição. Brinco que quando sinto algo no estômago, é um sinal de que devo recuar e pensar no que está acontecendo, e não continuar impondo um posicionamento rígido. Vejo que muitos advogados sentem essa dor se não conseguem obter o resultado que esperavam.

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