Como tudo começou – segunda parte

Lembram daquele vídeo que postamos sobre a origem das Práticas Colaborativas nas palavras do próprio criador Stuart Webb? (https://advogadascolaborativas.com.br/2015/05/13/como-tudo-comecou-agora-com-traducao/)

Hoje colocamos p/ vocês a continuidade daquela entrevista, em que Stuart conta um pouco mais sobre o crescimento das Práticas Colaborativas, os lugares em que participou de treinamentos, e a sua relação com o Budismo.

Muito interessante, vale a pena assistir! Agora senta pega um café que lá vem mais história.

Assim como da outra vez, traduzimos as principais ideias.

“Existem pontos que eclodem e outros nem tanto quando olhamos por onde a advocacia colaborativa cresceu. Na região Centro Oeste, foi relativamente devagar o crescimento. Nessa área de montanhas, ainda há Estados que não contam sequer com um advogado colaborativo. Na Costa Leste também foi devagar. Já na Califórnia foi rápido, quase por toda a costa, principalmente na área de São Francisco. Lá essa prática realmente pegou. Mas foi bom começar em Minnesota. Se tivesse começado pela Califórnia, diriam que (a advocacia colaborativa) era mais uma das invenções desses jovens; teriam certa resistência. Mas em Minnesota, eles viram que havia algo interessante ali. (Questionado sobre os lugares onde já deu treinamentos…) Eu dei treinamentos em, provavelmente, uns 30 Estados… Vienna, Austrália… Na Austrália foi ótimo, treinei em diversos lugares de lá, mais em Sydney, e agora lá existem vários lugares de treinamento, é maravilhoso. Existem alguns lugares que ainda não contam com muitos centros de treinamento, como em toda América do Sul, América Central, parece que nada está acontecendo por lá ainda. Surgem algumas iniciativas na África. Treinamos em Londres, na Inglaterra. Também um ótimo treino na Irlanda.

O mais encantador é sentir essa conexão de pessoas de diferentes países. Em muitos casos, nada precisa ser convertido, posso simplesmente falar e trocar idéias independente do público. São pequenos ajustes necessários, por conta da lei aplicável em cada pais, mas nada demais. É muito gratificante sentir que existe algo tornando a lei melhor, algo está ajudando as pessoas, como se tudo que você fizesse fosse pelo bem e necessidade de todos, e é exatamente isso o que está acontecendo. A coisa mais importante, no meu ponto de vista, é deixar estar, deixar fluir a advocacia colaborativa. Vejo em muitos casos que os criadores simplesmente não conseguem se desapegar de suas criações, e isso acaba inibindo a contribuição e as habilidades de outras pessoas, impedem o crescimento da própria obra. Essa é uma das chaves, na minha opinião.

Sobre a minha espiritualidade, posso dizer que quase coincidentemente com as praticas colaborativas veio o budismo. Me envolvi com um Centro de Budismo, e pelos últimos 10 ou 12 anos eu tenho sido o diretor desse centro. O Budismo se encaixa tão bem com a advocacia colaborativa e com o divórcio colaborativo, porque é algo da mente, sobre controle mental. Se você for até as origens do budismo, você encontra algo do tipo: aprenda a domar a sua mente, os seus pensamentos, algo como a prática do desapego, para chegar ao que no budismo chamamos de Buddha Nature, mas que em cada crença recebe um nome. É basicamente isso: tirarmos tudo o que estiver entre nós e o que nós somos na essência. O mais legal do Budismo é que ele traz práticas para ajudarmos a chegar lá. Porque muitas vezes ouvimos: seja legal, seja uma pessoa do bem, mas não necessariamente praticam conosco condutas que permitem que eu o seja. Acabo de ler um livro sobre um homem que passou por um terrível divórcio, ele descobriu o Budismo durante o seu divórcio, e o nome do livro é “Storms can’t hurt the sky”. É uma metáfora brilhante, e ele fez um excelente trabalho no livro ao analisar diferentes práticas budistas que o ajudaram a ser mais centrado, mais capaz de perdoar. Recomendo a todos esse livro.

Ron Ousky e eu escrevemos um livro chamado “The Collaborative Way to Divorce”. Essa idéia veio a tona quando um dia Ron me ligou e disse: nós deveríamos escrever um livro. E então começamos a nos reunir e preparamos o equivalente a um resumo para submeter a uma editora. Quando estávamos com quase 90% desse resumo pronto, foi publicado um artigo no New York Times sobre advocacia colaborativa, e o meu nome foi citado. No dia seguinte, recebi um email de uma editora e de um agente. Então disse que mandaria uma apresentação, já que tínhamos praticamente ela pronta. Foi um ótimo timing. Submetemos um primeiro resumo, e a ideia era: esse será um livro para o cliente, e não para os advogados. Foi então que nos devolveram e disseram que não estava no ponto certo, já que eles advogados, mesmo sem perceber, tinham a tendência de usar expressões técnicas. Tivemos que adaptar a linguagem para que o leitor pudesse entender. Foi dolorido receber aquele primeiro resumo de volta, mas foi isso que fez o livro dar certo futuramente. Uma boa coisa do livro é um teste que colocamos nele. Perguntas para conscientizar os casal, com escala de 1 a 5 sobre atitudes que permitem um divórcio colaborativo, como assumir responsabilidades, ser capaz de confiar no companheiro, algo para testar se aquilo vai funcionar para eles ou não.”

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