Como tudo começou … agora com tradução

Sempre que falamos sobre as Práticas Colaborativas as pessoas perguntam sobre a origem delas. Bem, costumamos contar o que sabemos, ou seja, que surgiram em 1.990 nos Estados Unidos com um advogado que atua no direito de família chamado Stuart Webb.
Mas muito mais interessante que nós (re)contando o que já foi contado por tantos é ouvirmos do próprio criador como tudo começou.
Agora pega um café e senta que lá vem história…

Para facilitar a compreensão do vídeo, transcrevemos abaixo as principais ideias compartilhadas por Stuart Webb em sua entrevista. Aproveitem!

“Trabalho como advogado desde 1964. Antes, era farmacêutico, em uma família formada por quatro gerações de farmacêuticos.
Comecei a faculdade de direito quando já tinha 3 filhos. Foram ótimos os tempos da faculdade… Era o primeiro aluno da classe.
Em meados de 1990, comecei a trabalhar com as Práticas Colaborativas.
Estava infeliz com a advocacia como ela era exercida. Odiava o que fazia e não gostava de ir ao trabalho pela manhã. A impressão que tinha, e que costumo compartilhar com as pessoas, é a imagem de filmes de cowboy que assistia quando criança, em que os cowboys colocavam um pedaço de graveto pela parte de cima da porta, para se certificarem de que ninguém atiraria. Era isso o que sentia quando acordava para trabalhar pela manhã: que sempre algo que ele não esperava poderia acontecer, uma espécie de guerra mesmo. Nessa época, cheguei a pensar: ‘eu vou abandonar a advocacia’.
Então comecei a fazer alguns cursos, e percebi que poderia continuar na advocacia, porém de outra forma. Sabia que precisava fazer o que gostava e não o que não gostava.
Entrei em contato com outra advogada e, conversando com ela, falamos sobre fazer acordos e negociar ao redor da mesa. Começamos a trabalhar em alguns casos e os resultados foram positivos e promissores. Até que tivemos aquele caso teste, em que as próprias partes se mostraram nossos grandes professores. Era um casal que estava muito conflitante. Algo aconteceu entre a primeira e a segunda sessão: paramos de trabalhar nas negociações, o outro advogado não tinha consciência de como resolver o caso e também não aceitava acordos, então levamos adiante a discussão no Tribunal. E foi horrível. Daqueles casos em que presenciamos as condutas mais sujas possíveis. E eu passei a me perguntar: Quem estava fazendo aquilo? O cliente ou o advogado? Isso gerou a destruição do nosso relacionamento, perda de confiança.
Foi então tive um momento de epifania. Um momento forte para mim, em que descobri a maneira certa de como trabalhar, de como fazer aquilo.
Assim, em 1990, eu me declarei um advogado colaborativo. Mas não havia mais qualquer outro comigo. Então percebi que precisava encontrar mais alguns. Precisava me envolver com as pessoas locais e fazer aquela ideia acontecer. O mais marcante foi que as pessoas começaram a ouvir a respeito disso, e funcionou como um diapasão: eles começaram a vibrar comigo na mesma freqüência. E foi isso o que aconteceu quando os advogados colaborativos começaram a se espalhar pelo País e pelo mundo.
Quando comecei, enviei a cartas a aproximadamente doze advogados que eu achava que poderiam ter algum interesse. E o que dizia era basicamente: ‘veja, é isso o que eu estou fazendo. Você quer jogar esse jogo? Não há obrigações. Mas se acharmos um caso que entendemos que possa funcionar, por que não tentar?’.
E dessas doze cartas, quatro, aproximadamente, foram respondidas. E nós começamos a trabalhar e resolver os casos. No final do ano tínhamos nove pessoas. E então começamos a nos envolver mais formalmente nisso. O que aconteceu foi que nós adotamos essa postura colaborativa, que tira dos advogados litigantes o poder, desarma-os, tornando o ambiente todo mais colaborativo. Isso foi a coisa mais bonita de perceber no meu trabalho.
Comecei a me reunir com aproximadamente seis advogados ao redor do País, uma vez ao ano. Adotamos um nome, algo como ‘advogados criativos’, e nós discutíamos as diferentes formas de mudar a forma de advogar. Era uma conversa informal, todos sentados em uma mesa.
O segundo desses encontros foi em Santa Cruz, Califórnia. Novamente, não era um treino; eles simplesmente me chamavam para que eu contasse o que estava fazendo, como estava praticando a advocacia. E a coisa mais incrível foi que os advogados dessa mesa eram Chip Rose, Nancy Ross, Thompson. Ou seja, a maioria das pessoas que ali se reuniram continuaram envolvidos em alguma das faces da advocacia colaborativa. Enfim, tivemos um dia maravilhoso apenas compartilhando nossas experiências.
Não demorou, recebi uma ligação de Pauline Tesler, e ela ouviu a respeito da advocacia colaborativa. Conversando com ela, percebi sem dúvida alguma que ela havia realmente apreendido as mais profundas implicações dessa pratica. Desde então, passei a compartilhar todo o conhecimento com ela. O ponto positivo disso foi que dividíamos tudo. E isso continuou a inspirar outras pessoas a se envolver. No final das contas, é assim que as coisas devem acontecer, esse é o movimento: nos doamos e isso vem em retorno eventualmente para nós. Sim, é isso o que funciona…”

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