“O novo abuso de criança”

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Na última quinta feira,  23 de abril, Contardo Calligaris escreveu na Folha de São Paulo sobre o que denomina “o novo abuso de criança”. http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2015/04/1619846-o-novo-abuso-de-crianca.shtml

Dentre outros aspectos, abordou um especialmente comum nos divórcios.

Segundo o psicanalista “Consequência, a partir dos anos 70, surgiu um tipo de afeto inédito até então: a competição dos pais divorciados pelo amor dos filhos. Fazer a “felicidade” dos filhos, além de ser o “dever” cultural de todos, passou a ser também o jeito para ser “preferido” ao outro cônjuge.(…) Enfim, incapazes de manter um projeto comum de educação, rivalizando pelo amor dos filhos, muitos pais divorciados só tentam seduzir os rebentos.”

Pois é, essa disputa entre ex cônjuges pelo amor dos filhos é muito comum. Os elementos usados como arma são os mais variados: bens materiais supérfluos e desejados, mentiras desmoralizantes sobre o caráter do outro, promessas fadadas a não serem cumpridas, etc.

O divórcio feito pelas práticas colaborativas tem entre seus principais objetivos evitar que a convivência entre ex cônjuges e entre estes e os filhos adquira esse clima de rivalidade. Pelo contrário, procura-se preservar a família numa convivência saudável enfatizando que apesar de o divórcio por fim ao casamento há também outras relações na família que precisam ser cuidadas.

A perspectiva humanizada das práticas colaborativas dá voz aos filhos no processo de divórcio, ou seja, suas opiniões, valores e sentimentos são considerados no momento de re desenhar a família a partir do fim do casamento. Isso é fundamental nas relações estabelecidas posteriormente.

Esse novo abuso de criança tão bem colocado por Contardo Calligaris precisa ser evitado ao máximo e, para isso, exige uma reflexão e atitude por parte de todos os profissionais envolvidos no divórcio.

É importante que os pais tenham plena consciência que não devem disputar o amor dos filhos e sim oferecer amor cada um a seu modo. Não se deve proporcionar a felicidade dos filhos para alcançar o posto de favorito, mas  dar as ferramentas para que eles construam a própria felicidade e não a esperem pronta vinda de pais em busca de aprovação. O projeto comum de educação entre os pais é o ideal, mas se não for possível mante-lo após o fim do casamento pelo menos que não sejam dois projetos incompatíveis.

O pior desse jogo de sedução e disputa são as consequências. Primeiramente o sofrimento causado nos filhos que ficam angustiados e divididos entre pai e mãe. Posteriormente na atitude de desrespeito e egoísmo que são aprendidas e, por vezes, internalizadas por eles. Que formação de caráter resultará?  Dificílimo prever. Os adultos questionam que mundo deixarão para seus filhos, mas seria bom também refletir sobre os filhos que deixarão para o mundo.

Autora: Dora Awad

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